Aqui tem de tudo. Eco e tino. Sangue e prazer. Amor e fúria. Devaneio e feminismo. Aqui eu abro meu coração sem pretensão. Encho essas páginas para libertar minha mente.
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domingo, 21 de março de 2010
Medos antepassados
um deus, alguém, dois olhos tristes
Se um peito aberto e nada o mesmo foi
demasiado baixo aos pedestais que insistem
E o poeta não quer ser pequeno
quer ser usado, sem pensar na dor
E seus abraços hoje tão calados
Inda carecem espargir amor
Ah, medos antepassados, passados que presenteiam
nossos dias apaixonados
de maldade a derrubar esteios
Se do que foi ficam lições e medos
sou desalmado
aluno sem receios
terça-feira, 2 de março de 2010
Para uma Menina com uma Flor
terça-feira, 19 de janeiro de 2010
Assim Sucedeu
Assim,
Começou assim
Uma coisa sem graça
Coisa boba que passa
Que ninguém percebeu
Assim,
Depois ficou assim
Quis fazer um carinho,
Receber um carinho,
E você percebeu
Fez-se uma pausa no tempo
Cessou todo meu pensamento
E como acontece uma flor
Também acontece o amor
Sucedeu assim,
E foi tão de repente
Que a cabeça da gente
Vira só coração
Não poderia supor
Que o amor nos pudesse prender,
Abriu-se em meu peito um vulcão
E nasceu a paixão
Tom Jobim
sábado, 9 de janeiro de 2010
O amor, quando se revela...
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
sobre o mar
quarta-feira, 30 de dezembro de 2009
Relicário
É uma índia com colar
A tarde linda que não quer se pôr
Dançam as ilhas sobre o mar
Sua cartilha tem o A de que cor?
O que está acontecendo?
O mundo está ao contrário e ninguém reparou
O que está acontecendo?
Eu estava em paz quando você chegou
E são dois cílios em pleno ar
Atrás do filho vem o pai e o avô
Como um gatilho sem disparar
Você invade mais um lugar
Onde eu não vou
O que você está fazendo?
Milhões de vasos sem nenhuma flor
O que você está fazendo?
Um relicário imenso deste amor
Corre a lua porque longe vai?
Sobe o dia tão vertical
O horizonte anuncia com o seu vitral
Que eu trocaria a eternidade por esta noite
Porque está amanhecendo?
Peço o contrario, ver o sol se por
Porque está amanhecendo?
Se não vou beijar seus lábios quando você se for
Quem nesse mundo faz o que há durar
Pura semente dura: o futuro amor
Eu sou a chuva pra você secar
Pelo zunido das suas asas você me falou
O que você está dizendo?
Milhões de frases sem nenhuma cor...
O que você está dizendo?
Um relicário imenso deste amor
O que você está dizendo?
O que você está fazendo?
Por que que está fazendo assim?Nando Reis
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Pra Mais Ninguém - Marisa Monte
Eu não sei o que é que você tem
Que não me beija nem me procura
Eu tenho medo de perder alguém
De quem espero que aquela jura
Não tenha ido para mais ninguém
O silêncio é uma tortura
Alguma coisa se perdeu
Você já não me olha como antes com ternura
Só falta me dizer adeus
Paulinho da Viola
terça-feira, 22 de dezembro de 2009
O Amor Romântico
Puta verdade...
O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida.
Fernando PessoaSoneto do Amor Total
Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
Vinicius de Moraes
segunda-feira, 21 de dezembro de 2009
Toda vez
Seja com afinco, silenciosa ou sutil
Da surpresa tardia, de coração rico, de fala viva
Dentro de mim a alma vira toda brio
E nem a poesia, invariável companhia minha
Dá conta de secar tanto rio, tanto frio, tanto vazio
Que é falta da presença dela, virada em falta de sorriso meu.
