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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Contradição comum

Eu sou uma eterna apaixonada
dessas raras e comuns
Que entregam sua alma inteira
e não recuperam un bout

Eu sou adulta avisada
dessas que sabem se erguer
Que caem na lama e aí coram
e choram que nem um bebê

Eu falo, articulo, eu rio
mas dentro de mim só eu sei
Que rio pra mim só de água
que água no olho é sofrer

Você também sofre que eu sei
eu queria só por ti viver
Cuidar dos teus olhos molhados
mas não posso de novo morrer

Sozinho

As pessoas não entendem... No shopping eu sou um estrangeiro! Eu forço os olhos, não consigo evitar as tentativas incansáveis de identificar um conterrâneo. Ninguém fala minha língua, quem me olha nos olhos não enxerga minha alma. Eu sou brasileiro. Onde eu moro ninguém se ilude. E eu estou sozinho.

quinta-feira, 29 de novembro de 2007

The Pretender

Keep you in the dark
You know they all pretend
Keep you in the dark
And so it all began

Send in your skeletons
Sing as their bones go marching in... again
The need you buried deep
The secrets that you keep are at the ready
Are you ready?
I'm finished making sense
Done pleading ignorance
That whole defense

Spinning infinity, boy
The wheel is spinning me
It's never-ending, never-ending
Same old story

What if I say I'm not like the others?
What if I say I'm not just another one of your plays
You're the pretender
What if I say I will never surrender?

In time or so i'm told
I'm just another soul for sale... oh, well
The page is out of print
We are not permanent
We're temporary, temporary
Same old story

I'm the voice inside your head
You refuse to hear
I'm the face that you have to face
Mirrored in your stare
I'm what's left, I'm what's right
I'm the enemy
I'm the hand that will take you down
Bring you to your knees

So who are you?
Yeah, who are you?
Yeah, who are you?
Yeah, who are you?

Keep you in the dark
You know they all pretend

What if I say I'm not like the others?
What if I say I'm not just another one of your plays
You're the pretender
What if I say I will never surrender?

So who are you?
Yeah, who are you?
Yeah, who are you?

terça-feira, 27 de novembro de 2007

Is someone?



I've got another confession to make
I'm your fool
Everyone's got their chains to break
Holdin' you

Were you born to resist or be abused?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?

Are you gone and onto someone new?
I need somewhere to hang my head
Without your noose
You gave me something that I didn't have
But had no use
I was too weak to give in
Too strong to lose
My heart is under arrest again
But I break loose
My head is giving me life or death
But I can't choose
I swear I'll never give in
I refuse

Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?

Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
The life, the love
You die to heal
The hope that starts
The broken hearts
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?

Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?

I've got another confession, my friend
I'm no fool
I'm getting tired of starting again
Somewhere new

Were you born to resist or be abused?
I swear I'll never give in
I refuse

Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?
Has someone taken your faith?
It's real, the pain you feel
You trust, you must
Confess
Is someone getting the best, the best, the best, the
best of you?

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Ermo

A companhia do desconhecido que não se importava com a minha presença me agradava. Uma poltrona vaga em cada lado e a minha era a única mão que tinha poder sobre os flocos amarelados pela manteiga, e os transportava, do pacote à boca, sem pressa, de modo a garantir que todos os ex-milhos fossem bem saboreados. As imagens iniciais da grande tela me deixaram animada e orgulhosa por ter estudado a matéria da última prova. O assunto era exatamente o mesmo, e essa cultura extra em relação aos demais rendia-me o ambiente ainda mais confortável.
A sessão terminou e caminhei pelos corredores vazios, decorados e sonorizados à noël, até chegar ao carro. Liguei o som abaixando uma fresta do vidro. Respirei fundo. Pensei neles. Sorri. E fui para casa.

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

Maybe tomorrow... I´ll find my way home.

PH:
pra vc colocar no seu blog. Não sei se conhece a música, mas é mto boa.

saudades.

beijos.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Exagerada

Amor da minha vida
Daqui até a eternidade
Nossos destinos
Foram traçados
Na maternidade...

Paixão cruel
Desenfreada
Te trago mil
Rosas roubadas
Pra desculpar
Minhas mentiras
Minhas mancadas...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

Eu nunca mais vou respirar
Se você não me notar
Eu posso até morrer de fome
Se você não me amar...

E por você eu largo tudo
Vou mendigar, roubar, matar
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado!
Jogado aos teus pés
Eu sou mesmo exagerado
Adoro um amor inventado...

E por você eu largo tudo
Carreira, dinheiro, canudo
Até nas coisas mais banais
Prá mim é tudo ou nunca mais...

Exagerado - Cazuza

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

Lírio

Flor de Lis não vá dizer
Se o vento tem compaixão
Pra te ver, te fazer esquecer
da dor do coração
Eu sei que o farol te faz relembrar
das noites com girassol
Talvez se você não chorar
Se você me deixar ajudar
Te tocar no coração
Saber que mais forte que a dor
É o amor que bate por ti
Amor do tão bom beija-flor

Flor me diz o que fazer?
Se um beijo seu não posso ter
Se não fiz por merecer
Quem sabe se eu te disser
Mais duro é o amor de partir
Se fica a olhar ele ir
Mais puro é o amor que está aqui
É só você se deixar sentir
Não temer só sorrir
Dizer que só quer ser feliz
Poder ver o pôr do sol
Como um beija-flor
Não mais como girassol

Flor de Lis - Planta e Raiz

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

Para Viver Um Grande Amor

Para viver um grande amor, preciso é muita concentração e muito siso, muita seriedade e pouco riso - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, mister é ser um homem de uma só mulher; pois ser de muitas, poxa! é de colher... - não tem nenhum valor.
Para viver um grande amor, primeiro é preciso sagrar-se cavalheiro e ser de sua dama por inteiro - seja lá como for. Há que fazer do corpo uma morada onde clausure-se a mulher amada e postar-se de fora com uma espada - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor, vos digo, é preciso atenção como o "velho amigo", que porque é só vos quer sempre consigo para iludir o grande amor. É preciso muitíssimo cuidado com quem quer que não esteja apaixonado, pois quem não está, está sempre preparado pra chatear o grande amor.
Para viver um grande amor, na realidade, há que compenetrar-se da verdade de que não existe amor sem fieldade - para viver um grande amor. Pois quem trai seu amor por vanidade é um desconhecedor da liberdade, dessa imensa, indizível liberdade que traz um só amor.
Para viver um grande amor, il faut além de fiel, ser bem conhecedor de arte culinária e de judô - para viver um grande amor.
Para viver um grande amor perfeito, não basta ser apenas bom sujeito; é preciso também ter muito peito - peito de remador. É preciso olhar sempre a bem-amada como a sua primeira namorada e sua viúva também, amortalhada no seu finado amor.
É muito necessário ter em vista um crédito de rosas no florista - muito mais, muito mais que na modista! - para aprazer ao grande amor. Pois do que o grande amor quer saber mesmo, é de amor, é de amor, de amor a esmo; depois, um tutuzinho com torresmo conta ponto a favor...
Conta ponto saber fazer coisinhas: ovos mexidos, camarões, sopinhas, molhos, strogonoffs - comidinhas para depois do amor. E o que há de melhor que ir pra cozinha e preparar com amor uma galinha com uma rica, e gostosa, farofinha, para o seu grande amor?
Para viver um grande amor é muito, muito importante viver sempre junto e até ser, se possível, um só defunto - pra não morrer de dor. É preciso um cuidado permanente não só com o corpo mas também com a mente, pois qualquer "baixo" seu, a amada sente - e esfria um pouco o amor. Há que ser bem cortês sem cortesia; doce e conciliador sem covardia; saber ganhar dinheiro com poesia - para viver um grande amor.
É preciso saber tomar uísque (com o mau bebedor nunca se arrisque!) e ser impermeável ao diz-que-diz-que - que não quer nada com o amor.
Mas tudo isso não adianta nada, se nesta selva escura e desvairada não se souber achar a bem-amada - para viver um grande amor.

Vinicius de Moraes

Last Night - The Strokes

A Alvorada do Amor

Estou a conhecer Olavo Bilac. Adquiri sua Antologia Poética juntamente com um livro de Florbela Espanca, há alguns dias (ali embaixo tem um post com um poema dela).

Li Espanca e me chamou a atenção a tristeza. Constante. Ela tenta, retenta e, todavia, não consegue fazer rirem os seus versos.
Já Bilac, entre altos e baixos, parece-me ter tido mais sucesso na vida amorosa.

Ah! quem nunca esteve na fossa é infeliz!

Por quê será que fossa vicia, Arieli? Minha Florbela, me diz?
Porque a dor é irmã do amor, Marina! Amadora. Aprendiz...

Eu não sabia amar, e amei. Amei demais, e morri.
E a dor é irmã do amor... porém, escura, opostamente. e na luz a gente vê. Que a dor é bela por pouco tempo, é flor colhida; a luz tem que prevalecer.
Ao final das contas, Nietzsche estava certo. "O que não me mata, me fortalece".

PRECISO que vocês leiam esta narração incrível (com cortes) do pecado original:

"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!"

Olavo Bilac

quarta-feira, 24 de outubro de 2007

O amor

"O amor é longânime e benigno. O amor não é ciumento, não se gaba, não se enfuna, não se comporta indecentemente, não procura os seus próprios interesses, não fica encolerizado. Não leva em conta o dano. Não se alegra com a injustiça, mas alegra-se com a verdade. Suporta todas as coisas, acredita todas as coisas, espera todas as coisas, persevera em todas as coisas. "

Coríntios 13:4-8

Receita de Mulher

(...) É preciso que súbito tenha-se a impressão de ver uma garça apenas pousada e que um rosto
Adquira de vez em quando essa cor só encontrável no terceiro minuto da aurora.
É preciso que tudo isso seja sem ser, mas que se reflita e desabroche
No olhar dos homens.
É preciso, é absolutamente preciso
Que seja tudo belo e inesperado.
É preciso que umas pálpebras cerradas
Lembrem um verso de Éluard e que se acaricie nuns braços
Alguma coisa além da carne: que se os toque
Como no âmbar de uma tarde.
Ah, deixai-me dizer-vos
Que é preciso que a mulher que ali está como a corola ante o pássaro
Seja bela ou tenha pelo menos um rosto que lembre um templo e
Seja leve como um resto de nuvem: mas que seja uma nuvem
Com olhos e nádegas.
Nádegas é importantíssimo.
Olhos então
Nem se fala, que olhe com certa maldade inocente.
Uma boca
Fresca (nunca úmida!) é também de extrema pertinência.
É preciso que as extremidades sejam magras; que uns ossos
Despontem, sobretudo a rótula no cruzar das pernas, e as pontas pélvicas
No enlaçar de uma cintura semovente.
Gravíssimo é porém o problema das saboneteiras: uma mulher sem saboneteiras
É como um rio sem pontes.
Indispensável. (...)
Ah, que a mulher dê sempre a impressão de que se fechar os olhos
Ao abri-los ela não estará mais presente
Com seu sorriso e suas tramas.
Que ela surja, não venha; parta, não vá
E que possua uma certa capacidade de emudecer subitamente e nos fazer beber
O fel da dúvida.
Oh, sobretudo
Que ela não perca nunca, não importa em que mundo
Não importa em que circunstâncias, a sua infinita volubilidade
De pássaro; e que acariciada no fundo de si mesma
Transforme-se em fera sem perder sua graça de ave; e que exale sempre
O impossível perfume; e destile sempre
O embriagante mel; e cante sempre o inaudível canto
Da sua combustão; e não deixe de ser nunca a eterna dançarina
Do efêmero; e em sua incalculável imperfeição
Constitua a coisa mais bela e mais perfeita de toda a criação inumerável.

Vinicius de Moraes

terça-feira, 23 de outubro de 2007

Anseios

Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha cais!

Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quimeras irreais
Não valem o prazer duma saudade!

Tu chamas ao meu seio, negra prisão!…
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbre o brilho do luar!

Não ´stendas tuas asas para o longe…
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela, a soluçar!…

Florbela Espanca - Trocando olhares - 26/06/1916

domingo, 14 de outubro de 2007

Poema da purificação

Depois de tantos combates
o anjo bom matou o anjo mau
e jogou seu corpo no rio.

As água ficaram tintas
de um sangue que não descorava
e os peixes todos morreram.

Mas uma luz que ninguém soube
dizer de onde tinha vindo
apareceu para clarear o mundo,
e outro anjo pensou a ferida
do anjo batalhador.

Carlos Drummond de Andrade

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

Talking dogs

TEET!!! Amor da minha vida!!! Meu webdesigner preferido!!! Meu fofo, meu lindo, meu gatinho...

De seu punho:
www.thedogfile.com

segunda-feira, 1 de outubro de 2007

Spit straight into the mouth that kisses you!

VERSOS ÍNTIMOS

Vês?! Ninguém assistiu ao formidável
Enterro de tua última quimera.
Somente a Ingratidão — esta pantera —
Foi tua companheira inseparável!

Acostuma-te à lama que te espera!
O Homem, que, nesta terra miserável,
Mora, entre feras, sente inevitável
Necessidade de também ser fera.

Toma um fósforo. Acende teu cigarro!
O beijo, amigo, é a véspera do escarro,
A mão que afaga é a mesma que apedreja.

Se a alguém causa inda pena a tua chaga,
Apedreja essa mão vil que te afaga,
Escarra nessa boca que te beija!

Augusto dos Anjos



Pesado pra uma segunda-feira?
Naaa... Muito mais do que isso... Inspirador!
Leia novamente... ui.

Boa semana.

segunda-feira, 24 de setembro de 2007

Valor

É o meu valor que você quer?
É o meu sentimento que você quer?
É a minha entrega que você quer?
É o meu carinho que você quer?
É a mim que você quer?

Pois lhe digo uma coisa: comigo é na base da troca.

Bando de idiotas os seres humanos que sofrem dessa doença chamada amor.

Coração de alcachofra... hahaha... precisa de umas risadas...

sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Utaaa

Dias de chuva

Há manhãs que sucedem temporais em que não precisamos de mais nada para ser feliz além de saber respirar.

O vídeo é "não recomendado para menores de 48 anos" e se supera no final, mas me remete à 1997, no auge dos meus 11 anos, completamente apaixonada.

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Hino Nacional Brasileiro - aos nossos filhos e netos.

Só ouviram em Brasília as frases tácitas
De um povo conformado irretumbante,
E o sol da impunidade, em solos lúbrigos,
Brilhou no céu da Pátria estagnante.
Se o penhor da desigualdade
Consentimos assistir com ócio forte,
Em teu seio, a impunidade,
Desafia o nosso peito à própria sorte!
Ó desamada, Idiotizada,
Salve! Salve!
Brasil, um pesadelo, um raio vívido
Desamor e desesperança à terra desce,
Se em teu formoso céu risonho e límpido,
A impunidade no Congresso resplandece.
Berrante é a nossa impotência,
De inércia forte, pávido colosso,
E o teu futuro espelha só pobreza
Manipulada,
Entre outras mil, és tu, Brasil, pátria roubada!
Dos corruptos deste solo és mãe gentil,
Pátria desamada, Brasil!

Dormindo eternamente em modo esplêndido
Ao som da mídia paga em véu profundo,
Ofuscas, ó Brasil, o florão da América,
Observado ao sol de todo Mundo!
Nesta terra, tanta intriga
Teus risonhos lindos campos poucos donos,
"Nossos governantes têm mais vida"
"Nossa vida", no teu seio, "mais credores"
Ó Pátria desamada, Idiotizada,
Salve! Salve!
Brasil, da impunidade seja símbolo
As falcatruas que comete o teu senado,
E diga o corporativismo desta trama -
Paz no futuro sem mandatos cassados.
E, se erguem da injustiça a clava forte,
Verás que os filhos teus fogem da luta
E temem quem os rouba até a morte,
Terra idiotizada
Entre outras mil, És tu Brasil, Pátria manipulada!
Dos corruptos deste solo és mãe gentil,
Pátria desamada, Brasil!

CARTA DE TEREZA COLLOR A RENAN CALHEIROS

Vale a pena ler.

"Vida de gado. Povo marcado. Povo feliz". As vacas de Renan dão cria 24 h por dia. Haja capim e gente besta em Murici e em Alagoas!Uma qualidade eu admiro em você: o conhecimento da alma humana. Você sabe manipular as pessoas, as ambições, os pecados e as fraquezas.

Do menino ingênuo que eu fui buscar em Murici para ser deputado estadual em 1978 - que acreditava na pureza necessária de uma política de oposição dentro da ditadura militar - você, Renan Calheiros, construiu uma trajetória de causar inveja a todos os homens de bem que se acovardam e não aprendem nunca a ousar como os bandidos.

Você é um homem ousado. Compreendeu, num determinado momento, que a vitória não pertence aos homens de bem, desarmados desta fúria do desatino, que é vencer a qualquer preço. E resolveu armar-se. Fosse qual fosse o preço, Renan Calheiros nunca mais seria o filho do Olavo, a degladiar-se com os poderosos Omena, na Usina São Simeão, em desigualdade de forças e de dinheiros.

Decidiu que não iria combatê-los de peito aberto, descobriria um atalho, um mil artifícios para vencê-los, e, quem sabe, um dia derrotaria todos eles, os emplumados almofadinhas que tinham empregados cujo serviço exclusivo era abanar, durante horas, um leque imenso sobre a mesa dos usineiros, para que os mosquitos de Murici (em Murici, até os mosquitos são vorazes) não mordessem a tez rósea de seus donos: Quem sabe, um dia, com a alavanca da política, não seria Renan Calheiros o dono único, coronel de porteira fechada, das terras e do engenho onde seu pai, humilde, costumava ir buscar o dinheiro da cana, para pagar a educação de seus filhos, e tirava o chapéu para os Omena, poderosos e perigosos.

Renan sonhava ser um big shot, a qualquer preço. Vendeu a alma, como o Fausto de Goethe, e pediu fama e riqueza, em troca.

Quando você e o então deputado Geraldo Bulhões, colegas de bancada de Fernando Collor, aproximaram-se dele e se aliaram, começou a ser parido o novo Renan.

Há quem diga que você é um analfabeto de raro polimento, um intuitivo. Que nunca leu nenhum autor de economia, sociologia ou direito. Os seus colegas de Universidade diziam isso. Longe de ser um demérito, essa sua espessa ignorância literária faz sobressair, ainda mais, o seu talento de vencedor.Creio que foi a casa pobre, numa rua descalça de Murici, que forneceu a você o combustível do ódio à pobreza e o ser pobre. E Renan Calheiros decidiu que, se a sua política não serviria ao povo em nada, a ele próprio serviria em tudo. Haveria de ser recebido em Palacios, em mansões de milionários, em Congressos estrangeiros, como um príncipe, e quando chegasse a esse ponto, todos os seus traumas banhados no rio Mundaú, seriam rebatizados em Fausto e opulência; "Lá terei a mulher que quero, na cama que escolherei. Serei amigo do Rei."

Machado de Assis, por ingênuo, disse na boca de um dos seus personagens: "A alma terá, como a terra, uma túnica incorruptível." Mais adiante, porém, diante da inexorabilidade do destino do desonesto, ele advertia: "Suje-se, gordo! Quer sujar-se? Suje-se, gordo!"

Renan Calheiros, em 1986, foi eleito deputado federal pela segunda vez. Nesse mandato, nascia o Renan globalizado, gerente de resultados, ambição à larga, enterrando, pouco a pouco, todos os escrúpulos da consciência. No seu caso, nada sobrou do naufrágio dasilusões de moço! Nem a vergonha na cara. O usineiro João Lyra patrocinou essa sua campanha com US1.000.000. O dinheiro era entregue, em parcelas, ao seu motorista Milton, enquanto você esperava, bebericando, no antigo Hotel Luxor, av. Assis Chateaubriand, hoje Tribunal do Trabalho.

E fez uma campanha rica e impressionante, porque entre seus eleitores havia pobres universitários comunistas e usineiros deslumbrados, a segui-lo nas estradas poeirentas das Alagoas, extasiados com a sua intrepidez em ganhar a qualquer preço. O destemor do alpinista, que ou chega ao topo da montanha - e é tudo seu, montanha e glória - ou morre. Ou como o jogador de pôquer, que blefa e não treme, que blefa rindo, e cujos olhos indecifráveis intimidam o adversário. E joga tudo. E vence. No blefe.

Você, Renan não tem alma, só apetites, dizem. E quem, na política brasileira, a tem? Quem, neste Planalto, centro das grandes picaretagens nacionais, atende no seu comportamento a razões e objetivos de interesse público? ACM, que, na iminência de ser cassado, escorregou pela porta da renúncia e foi reeleito como o grande coronel de uma Bahia paradoxal, que exibe talentos com a mesma sem-cerimônia com que cultiva corruptos? José Sarney, que tomou carona com Carlos Lacerda, com Juscelino, e, agora, depois de ter apanhado uma tunda de você, virou seu pai-velho, passando-lhe a alquimia de 50 anos de malandragem?

Quem tem autoridade moral para lhe cobrar coerência de princípios? O presidente Lula, que deu o golpe do operário, no dizer de Brizola, e hoje hospeda no seu Ministério um office boy do próprio Brizola? Que taxou os aposentados, que não o eram, nem no Governo de Collor, e dobrou o Supremo Tribunal Federal? No velho dizer dos canalhas, todos fazem isso, mentem, roubam, traem. Assim, senador, você é apenas o mais esperto de todos, que, mesmo com fatos gritantes de improbidade, de desvio de conduta pública e privada, tem a quase unanimidade deste Senado de Quasímodos morais para blinda-lo.

E um moço de aparência simplória, com um nome de pé de serra - Siba - é o camareiro de seu salvo-conduto para a impunidade, e fará de tudo para que a sua bandeira - absolver Renan no Conselho de Ética - consagre a sua carreira. Não sei se este Siba é prefixo de sibarita, mas, como seu advogado in pectore, vida de rico ele terá garantida. Cabra bom de tarefa, olhem o jeito sestroso com que ele defende o chefe... É mais realista que o Rei. E do outro lado, o xerife da ditadura militar, que, desde logo, previne: quero absolver Renan.

Que Corregedor!... Que Senado!...Vou reproduzir aqui o que você declarou possuir de bens em 2002 ao TRE. Confira, tem a sua assinatura:

1) Casa em Brasília, Lago Sul, R$ 800 mil,
2) Apartamento no edifício Tartana, Ponta Verde, R$ 700 mil,
3) Apartamento no Flat Alvorada, DF, de R$ 100 mil,
4) Casa na Barra de S Miguel de R$ 350 mil ..
E SÓ.

Você não declarou nenhuma fazenda, nem uma cabeça de gado!!Sem levar em conta que seu apartamento no Edifício Tartana vale, na realidade, mais de R$1 milhão, e sua casa na Barra de São Miguel, comprada de um comerciante farmacêutico, vale mais de R$ 2.000.000.Só aí, Renan, você DECLARA POSSUIR UM PATRIMONIO DE CERCA DE R$ 5.000.000.

Se você, em 24 anos de mandato, ganhou BRUTOS, R$ 2 milhoes, como comprou o resto? E as fazendas, e as rádios, tudo em nome de laranjas? Que herança moral você deixa para seus descendentes?

Você vai entrar na história de Alagoas como um político desonesto, sem escrúpulos e que trai até a família. Tem certeza de que vale a pena?Uma vez, há poucos anos, perguntei a você como estava o maior latifundiário de Murici. E você respondeu: "Não tenho uma só tarefa de terra. A vocação de agricultor da família é o Olavinho." É verdade, especialmente no verde das mesas de pôquer!

O Brasil inteiro, em sua maioria, pede a sua cassação. Dificilmente você será condenado. Em Brasília, são quase todos cúmplices. Mas olhe no rosto das pessoas na rua, leia direito o que elas pensam, sinta o desprezo que os alagoanos de bem sentem por você e seu comportamento desonesto e mentiroso. Hoje perguntado, o povo fecharia o Congresso. Por causa de gente como você!

Thereza Collor

Acender? Ascender?!

Movendo as folhas devagar, forçando os olhos pra enxergar
Os movimentos suspeitos,
Na diligência arrojada de quem se esquiva do mundo e
se perde no próprio labirinto.

Os ruídos se aproximam de todos os lados...
E eu, que não sei andar descalça?
Que não sei correr, sem tropeçar nos galhos.
Nem sei seguir adiante
sem sair da trilha.

Mas minha curiosidade aumenta
Tanto mais essa selva me desafia
E mais eu me entrego
E mais me delicio.

Eu tô entrando numa selva.
E a luz do sol tá apagada.

quarta-feira, 19 de setembro de 2007

Les mots

Palavras não são más
Palavras não são quentes
Palavras são iguais
Sendo diferentes
Palavras não são frias
Palavras não são boas
Os números pra os dias
E os nomes pra as pessoas
Palavras eu preciso
Preciso com urgência
Palavras que se usem
em caso de emergência
Dizer o que se sente
Cumprir uma sentença
Palavras que se diz
Se diz e não se pensa
Palavras não tem cor
Palavras não tem culpa
Palavras de amor
Pra pedir desculpas
Palavras doentias
Páginas rasgadas
Palavras não se curam
Certas ou erradas
Palavras são sombras
As sombras viram jogos
Palavras pra brincar
Brinquedos quebram logo
Palavras pra esquecer
Versos que repito
Palavras pra dizer
De novo o que foi dito
Todas as folhas em branco
Todos os livros fechados
Tudo com todas as letras
Nada de novo debaixo do Sol

-----------------

Eu uso as palavras pra me convencer, e uso as palavras pra me consolar
E uso elas pra acreditar, e pra realizar.
Mas primordialmente para que eu tenha bem
mais
falta de prudência.

-----------------

Titãs rules!

Esferas

E pulando de uma à outra, vamos vivendo a vida.

Holocausto

Eu não sei porque tive necessidade física de colocar essas imagens no mínimo lastimáveis aqui.
Porque perdi o compasso da respiração e faltou oxigênio no peito, enquanto as cenas passavam.
Eu não sei o que eu posso fazer ainda, eu vou fazer. Eu enxergo isso. Aqui, acima, abaixo, do outro lado do mundo, eu quero brigar. Porque essa arrogância toda, essa prepotência nojenta e injusta, não pode prevalecer. O Estado NÃO TEM o direito de usar o poder que adquiriu (e, salientemos, que adquiriu APENAS para dispor bem-estar social!) em benefício exclusivo próprio, ignorando o direito do ser humano de EXISTIR!!! E fodam-se os desacreditados, os conformados e os fracos de espírito.


CONSIDERANDO que o reconhecimento da dignidade inerente a todos os membros da familia humana e seus direitos iguais e inalienáveis é o fundamento da liberdade, da justiça e da paz no mundo, CONSIDERANDO que o desprezo e o desrespeito pelos direitos do homem resultaram em atos bárbaros que ultrajaram a consciência da Humanidade, e que o advento de um mundo em que os homens gozem de liberdade de palavra, de crença e da liberdade de viverem a salvo do temor e da necessidade, CONSIDERANDO ser essencial que os direitos do homem sejam protegidos pelo império da lei, para que o homem não seja compelido, como último recurso, à rebelião contra a tirania e a opressão, CONSIDERANDO ser essencial promover o desenvolvimento de relações amistosas entre as nações, CONSIDERANDO que os povos das Nações Unidas reafirmaram, na Carta, sua fé nos direitos do homem e da mulher, e que decidiram promover o progresso social e melhores condições de vida em uma liberdade mais ampla, CONSIDERANDO que os Estados Membros se comprometeram a promover, em cooperação com as Nações Unidas, o respeito universal aos direitos e liberdades fundamentais do homem e a observância desses direitos e liberdades, CONSIDERANDO que uma compreensão comum desses direitos e liberdades é da mais alta importância para o pleno cumprimento desse compromisso,
A Assembléia Geral das Nações Unidas proclama a presente "Declaração Universal dos Direitos do Homem" como o ideal comum a ser atingido por todos os povos e todas as nações, com o objetivo de que cada indivíduo e cada órgão da sociedade, tendo sempre em mente esta Declaração, se esforce, através do ensino e da educação, por promover o respeito a esses direitos e liberdades, e, pela adoção de medidas progressivas de caráter nacional e internacional, por assegurar o seu reconhecimento e a sua observância universais e efetivos, tanto entre os povos dos próprios Estados Membros, quanto entre os povos dos territórios sob sua jurisdição.

Estou de poucas palavras hoje

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Goodbye My Lover

Esses dias me disseram: Marina, não esconda seus sentimentos.


Did I disappoint you or let you down?

Should I be feeling guilty or let the judges frown?

'Cause I saw the end before we'd begun,

Yes I saw you were blinded and I knew I had won.

So I took what's mine by eternal right.

Took your soul out into the night.

It may be over but it won't stop there,

I am here for you if you'd only care.

You touched my heart you touched my soul.

You changed my life and all my goals.

And love is blind and that I knew when,

My heart was blinded by you.

I've kissed your lips and held your head.

Shared your dreams and shared your bed.

I know you well, I know your smell.

I've been addicted to you.

Goodbye my lover.

Goodbye my friend.

You have been the one.

You have been the one for me.

I am a dreamer but when I wake,

You can't break my spirit - it's my dreams you take.

And as you move on, remember me,

Remember us and all we used to be

I've seen you cry, I've seen you smile.

I've watched you sleeping for a while.

I'd be the father of your child.

I'd spend a lifetime with you.

I know your fears and you know mine.

We've had our doubts but now we're fine,

And I love you, I swear that's true.

I cannot live without you.

Goodbye my lover.

Goodbye my friend.

You have been the one.

You have been the one for me.

And I still hold your hand in mine.

In mine when I'm asleep.

And I will bear my soul in time,

When I'm kneeling at your feet.

Goodbye my lover.

Goodbye my friend.

You have been the one.

You have been the one for me.

I'm so hollow, baby, I'm so hollow.

Bom dia!!!

O melhor é o último: "GLUBI GLUUBIII"

:)

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Bobagem

Que bobagem... que bobagem, meu Deus.
Tão intrincado e tão simples, tão bom e perfeitamente entrelaçado.

Você não sabe nada sobre o amor, e sabe tanto quanto eu sei.
Teu caso é outro, o dela é diverso. Meu próprio caso, obrigada.

Eu sei o que fazer, e não faço. E penso, e não ajo.
E ajo, e, afortunado, me acho. Encontro e me consigo estar convicto.

Ai... Palavras. Agarrar um sentimento - um pensamento, tecer em letras para abrandar o peito.
O belo é eternamente agradável.

Há muito espaço no universo para compreender o bem-estar de quem o vê.
Quero me permitir alcançar até a última estrela.

White Flag - Dido

And when we meet
Which I'm sure we will
All that was there
Will be there still
I'll let it pass
And hold my tongue
And you will think
That I've moved on....
I will go down with this ship
And I won't put my hands up and surrender
There will be no white flag above my door
I'm in love and always will be

domingo, 16 de setembro de 2007

Transtornos bipolares relâmpagos

Não queria escrever...
Mas eu preciso.

E não sai nada.


Abismo,
Solidão,
Desordem,
Aversão,


Esperança...


Abismo,
Solidão,
Desordem,
Aversão,

sexta-feira, 14 de setembro de 2007

Loucura

Eu vejo você e você nem está lá. rs...

Trentemøller - Moan - Vocal Remix ft. Ane Trolle

Ana, bacana.

Dora, Isaura, Emília
Terezinha e Marina
Ana, Rita, Joana
Iracema e Carolina
Laura, Lígia, Luma
Lucineide, Luciana
Quer seu nome escrito
Numa letra bem bacana...

Ela é bala
A mestiça é todo gás
Cada braço é uma viga do país
Abre o olho com ela meu rapaz
Ela é quase tudo que se diz...

Quando compra uma briga
Ela é demais
Vai no groove
E não deixa desandar
Ela é pop, ela é rap
Ela é blues e jazz
E no samba é primeira linha...



Esta sou eu, ensaiando pro show da Ana Carolina que (...totalmente sujeito ao valor de câmbio do dólar comercial... análogo à situação monetária dos tigres asiáticos... e sua influência sobre as aquisições de grandes manufaturados... pela classe social mais abastada...) vou sábado.



Why? :S

Why not? ;)

Over and over, trying to bring myself up again. Argh... Yeah. Argh. Yeah.
?

Escrever por escrever

Porque todos os dias eu acordo com a cabeça a mil, e ninguém está a fim de ficar escutando minhas bobagens.
Às vezes nem eu preciso, nem quero, nem me preocupo que os outros saibam.
Primeiro porque meus pensamentos nunca estão organizados alfabeticamente, de cima para baixo, em arquivos pintados de cores diferentes, cada qual numa linhagem ideológica própria. Segundo porque, mesmo estabelecidos assim, eu continuaria em apuros para aclará-los.
Hummm... a Renata sabe como revitalizar uma pessoa no começo de uma sexta-feira! Trouxe um cappucino e um trócinho, parece um donuts, ou um sonho sem recheio, nossa, dos deuses. Vou até trabalhar mais contente agora! Só faltou o jornal, segundo ela. Mas aí, segundo ela também, já é demais, né.
Não acho.

Tô feliz, tô feliz.

Chega de divagar, então. Máaaaaaaaaaaaaaaa, Mazinha, je veux te raconter une histoire. Un jour je te raconterai. C´est l´histoire d´une fille qui a commencée a vivre, et a être hereuse. Et je ne veux pas que tu me laisse, après cette belle nouvautée. Et mon français est pire a chaque jour!
Je veux retourner au Québec.

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

Juízo tolo

É lindo interpretar.
Mas só o poeta sente na mão a genuína intenção de expressão da pena.

Percepção

Tudo é incrível para mim.
Incrível como
Incrível o modo

Como se percebe o outro
Parabrisas
Por dentro
E meios

Ver e não enxergar
Ter e não interessa!
Insignificância incumbe-se

Não se grita.
Amor não se pede.

quarta-feira, 12 de setembro de 2007

Tabacaria

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa.
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira.
Em que hei de pensar?

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso?
Mas penso tanta coisa!
Em todos os manicômios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...

Fiz de mim o que não soube
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.

Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.

Álvaro de Campos, 15-1-1928



É um gênio da literatura!

Eu estranhamente, ironicamente, peculiarmente me identifico com esses versos.
Leio, releio, num ou noutro, sempre acabo me encontrando.
Seráquesóeu?

Na Hora da Sede

Na hora da sede você pensa em mim
Pois eu sou o seu copo d'água
Sou eu quem mata a sua sede
E dou alívio à sua mágoa
É sempre assim
Você foge de mim
Eu pra você só sirvo de água
Mas se a fonte secar você se acaba
Você vai, você vem, você não me larga.

Samba delicioso pra curtir no vozeirão da Zélia!