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quinta-feira, 25 de outubro de 2007

A Alvorada do Amor

Estou a conhecer Olavo Bilac. Adquiri sua Antologia Poética juntamente com um livro de Florbela Espanca, há alguns dias (ali embaixo tem um post com um poema dela).

Li Espanca e me chamou a atenção a tristeza. Constante. Ela tenta, retenta e, todavia, não consegue fazer rirem os seus versos.
Já Bilac, entre altos e baixos, parece-me ter tido mais sucesso na vida amorosa.

Ah! quem nunca esteve na fossa é infeliz!

Por quê será que fossa vicia, Arieli? Minha Florbela, me diz?
Porque a dor é irmã do amor, Marina! Amadora. Aprendiz...

Eu não sabia amar, e amei. Amei demais, e morri.
E a dor é irmã do amor... porém, escura, opostamente. e na luz a gente vê. Que a dor é bela por pouco tempo, é flor colhida; a luz tem que prevalecer.
Ao final das contas, Nietzsche estava certo. "O que não me mata, me fortalece".

PRECISO que vocês leiam esta narração incrível (com cortes) do pecado original:

"Chega-te a mim! entra no meu amor,
E à minha carne entrega a tua carne em flor!
Preme contra o meu peito o teu seio agitado,
E aprende a amar o Amor, renovando o pecado!
Abençôo o teu crime, acolho o teu desgosto,
Bebo-te, de uma em uma, as lágrimas do rosto!

Vamos! que importa Deus? Desata, como um véu,
Sobre a tua nudez a cabeleira! Vamos!
Arda em chamas o chão; rasguem-te a pele os ramos;
Morda-te o corpo o sol; injuriem-te os ninhos;
Surjam feras a uivar de todos os caminhos;
E, vendo-te a sangrar das urzes através,
Se emaranhem no chão as serpes aos teus pés...
Que importa? o Amor, botão apenas entreaberto,
Ilumina o degredo e perfuma o deserto!
Amo-te! sou feliz! porque, do Éden perdido,
Levo tudo, levando o teu corpo querido!"

Olavo Bilac

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