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terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Soneto do Amor Total

Esse também era repertório do meu saudoso caderno... quem escreveu ele lá, lembro bem!, foi a Sheila! Quando eu lia esse soneto, lá, novinha, me encantava especialmente o último verso. Bom proveito!

Amo-te tanto, meu amor... não cante
O humano coração com mais verdade...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.

Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.

Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.

E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.

Vinicius de Moraes

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