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sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Não é fácil

Não é fácil.

Um mês depois de seu pai convidar seu(a) namoradx pra passar o réveillon com a família ele vai dizer, em tom fúnebre, que "isso" é uma doença e que ele já entendeu que não tem o que fazer; é ~aceitar~ e seguir a vida.

Quando você sonhar que sua mãe, depois de 7 anos digerindo a notícia que você deu, finalmente parou de sofrer e percebeu o quão feliz você é, vai ser surpreendida por uma supercomemoração ao fim do seu namoro.

Vai flagrar apoio a Bolsonaro na timeline daquelx amigx que sempre disse te entender e estar do seu lado pro que desse e viesse. Vai ver outrxs dizendo que têm orgulho de ser hetero. Vai achar que ninguém entende nada e pensar que está sozinhx.

E se, por um segundo, você esquecer tudo isso e se convencer de que a homofobia não existe mais, vai se permitir demonstrar amor em público. E aí talvez o garçom sutilmente te chame a atenção.

- Mas você precisava fazer isso?

Sim, vai ter quem não compreenda a necessidade dos casais de demonstrar afeto, e pode ser que você ouça isso também.

E pouco depois de se emocionar com o Facebook colorido pela vitória do amor, virá uma notícia de chacina com pessoas que poderiam muito bem ter sido você, pra te jogar de volta à realidade.

Vai ter gente dizendo que a sua comunidade mereceu. E você vai lembrar que todos os dias alguém morre por ser homossexual. Amigos foram expulsos de casa por amarem pessoas do mesmo sexo. Pessoas foram espancadas por isso. Tem quem se culpe tanto que abre mão da própria vida.

Não, a maioria de nós não vai viver o suficiente pra achar isso fácil. Seria muita alienação e inocência pensar que sim. Mas a felicidade é tanta que vale a pena.

E é por isso que eu compartilho minha experiência. Talvez levantando nossa voz a gente faça outras pessoas acreditarem.

Pessoas que tavez estejam passando pelo pior agora, ou que desconfiam que vão passar, ou que estejam com medo de que nunca passe.

Você não está sozinhx.


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