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sábado, 22 de agosto de 2009

Porque os homens não choram

Homem Não Chora (Frejat)
Homem não chora
Nem por dor
Nem por amor
E antes que eu me esqueça
Nunca me passou pela cabeça
Lhe pedir perdão
E só porque eu estou aqui
Ajoelhado no chão
Com o coração na mão
Não quer dizer
Que tudo mudou
Que o tempo parou
Que você ganhou
Meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Esse meu rosto vermelho e molhado
É só dos olhos pra fora
Todo mundo sabe
Que homem não chora
Homem não chora
Nem por ter
Nem por perder
Lágrimas são água
Caem do meu queixo
E secam sem tocar o chão
E só porque você me viu
Cair em contradição
Dormindo em sua mão
Não vai fazer
A chuva passar
O mundo ficar
No mesmo lugar
Um grande amigo, sócio e companheiro de meu pai, faleceu. Achei que fosse vê-lo chorando pela primeira vez. Em vez disso, encontrei um rosto interiormente sério, esboçando sorrisos por coisas que não tinham a menor graça. E os olhos profundamente tristes, mesmo secos.
Homem não chora. Eles não choram porque a sociedade lhes ensinou, desde antes de saírem das barrigas de suas mães, que são, ou pelo menos devem ser, o sexo forte. Que demonstrar emoções é para as meninas. As choronas são as meninas. As que têm medo de agulha são as meninas. Os meninos são os que têm de ir na frente, para encorajar suas irmãs. E então se fez lei que o homem guardasse para si tudo o que sentisse, e nada mais que força, certeza e atitude, demonstrasse.
Homem não chora que é pra não entrar em contradição. Afinal, por que meu irmão está chorando, agora que minha irmã viajou, se nunca demonstrou um pingo de afeto por ela? Nunca lhe deu um abraço, nunca lhe disse que se cuidasse, foi o único que não lhe escreveu uma carta de despedida, nada, nunca! Ora, não seria ele ridículo a ponto de chorar justo agora que a vontade dele, de tê-la distante, está mais que satisfeita, certo?!
Mas lá dentro só eles sabem, só eles, sabem o que está acontecendo. E como é difícil segurar aquela lágrima que insiste em escorrer bem na hora que alguém entra no quarto... Fazer cara de sono, de bravo, de indiferente, para que ninguém veja seu coração sangrando. Coração de homem não sangra, filho.
Hoje eu os entendi um pouco melhor. Compreendi como é difícil ser pego em flagrante, em plena contradição.
Eu posso chorar, eu sou mulher. Porém, hoje, eu não queria ser vista chorando. A culpa foi minha. Da tristeza transbordada, da paz desmoronada. Não está claro que eu sabia que isso ia acontecer, cedo ou tarde? E que me importa que isso tenha acontecido agora, se não me importava antes? A verdade é que ninguém ia entender o motivo das minhas lágrimas. E é por isso que hoje, só hoje, eu decididamente entendi meu pai.

Um comentário:

  1. Esconder emoções e não tê-las são coisas diferentes.

    E mentalidades de épocas diferentes.
    Eu, mulher do século XVII, ficaria aterrorizada se visse meu marido ou meu pai chorando. Imagina? O homem que alimenta essa casa, o único que pode votar e parcipar da sociedade e política. Ele trabalha. Ele manda. Ele cuida de mim e de meus filhos ou irmãos. Esse homem é a minha fortaleza... Esse homem não pode desmoronar e tenho que apreciar o quanto ele se esforça para ser esse muro da minha proteção.

    Eu, mulher do século XXI já fui à Guerra. Já trabalhei em fábricas. Eu alimento meus filhos (além de criá-los sozinhos). Meu pai deve ser meu amigo e meu homem meu companheiro...

    Mas como deve ser difícil para um homem estar nessa berlinda... Querer proteger, ser uma fortaleza impenetrável quando algumas das mulhes só querem que seja um colo, um ombro amigo.

    Sim, nós mulheres passamos por uma grande transformação em pouco tempo. Mas os homens também...

    Nós aprendemos mais rápido, isso é fato. E tenho mesmo dó daqueles que vão nascer e morrer sem saber seu papel nessa dura sociedade.

    3 vivas à esquizofrenia coletiva atual. Parabéns para aqueles que já perceberam que hoje não estamos mais em um jogo de cartas marcadas, onde antes de nascer já sabem em que casta e papel nos enquadramos. Viva à liberdade de escolha e pensamento.
    E meus pêsames para aqueles que simplesmente não tem a capacidade de se adaptar...

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