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segunda-feira, 22 de julho de 2013

À loucura, nossa vida.

Erasmo de Rotterdam, quando escreveu Elogio da Loucura, foi, antes de qualquer coisa, muito corajoso. Mas o que mais me impressiona na intensa crítica que ele faz a praticamente tudo e todos é o total - mas total! - desprendimento a conceitos previamente estabelecidos e à extrema nudez satírica na qual ele, sem rodeios, coloca as situações mais comuns e protegidas pela raça humana. Raça essa que, como ele sabiamente diz, "insiste em ser completamente louca".

Seguem dois trechos que podem dar pano para uma boa conversa:

"Já que a raça humana insiste em ser completamente louca - já que todas as pessoas, do Papa ao mais humilde pároco da aldeia - do mais rico dos homens ao mais miserável dos mendigos - da honrada dama em suas sedas e cetins à mulher vulgar em seu vestido de chita - já que todos se decidiram firmemente a não usar o cérebro que Deus lhes deu, mas insistem em se deixar guiar inteiramente pela ambição, vaidade, ignorância, porque, em nome de uma divindade racional, deveriam as poucas pessoas realmente inteligentes perder seu tempo e esforço, tentando mudar o gênero humano, transformando-o em algo que ele jamais desejou ser? Deixêmo-lo viver feliz em suas loucuras. Não o privemos daquilo que, lhe dá maior prazer - seu infinito poder de se tornar ridículo."

"Haverá algum de vós tão louco que deixe na rua o ouro e as jóias? Ninguém, decerto. Encerrá-los-eis no canto mais secreto e retirado da casa e nos cofres mais bem fechados e guardados. O lixo, porém, é deitado para a via pública. Ora, se o que se tem de mais precioso é que se esconde e o que há de mais vil se expõe à luz do dia, a Sabedoria, que não se esconde, é mais vil do que a Loucura, que nos aconselham a esconder."


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